terça-feira, 17 de outubro de 2017

GRÃO DO DIA // 5 melhores cafés em Fortaleza

Alex Melo
Colunista de Café do Gastronomix

Fortaleza é bastante conhecida por suas lindas praias! Isso ninguém pode contestar! Agora, o que dizer sobre seus cafés?! Olha, a gente aqui fez uma seleção muito bacana e cuidadosa das 5 melhores cafeterias em Fortaleza! Com cafés saborosos e ambientes descolados de não deixar nada a desejar com o que já estamos acostumados a ver por aí.

Confira com a gente 5 lugares ótimos para se tomar um cafezinho e bater um bom papo na nossa amada Terrinha da Luz! Tivemos o prazer de conhecer e visitar cada um deles!

Fica aqui a nossa dica para quem busca por bons cafés na terrinha.



 1. Mercado do Café - Benfica

Fomos conhecer o Mercado do Café, no Benfica, e o encantamento e a boa surpresa foram imediatas! Lugar realmente agradável e bucólico em Fortaleza para o seu cafezinho da tarde, ou mesmo pela manhã.

O ambiente tem uma área interna com ar condicionado, e uma externa ao ar livre com uma decoração aconchegante e um pequeno jardim que traz um ar minimalista e ainda mais agradável.

O atendimento impecável, sempre muito atenciosos! Nota 10,0 à cafeteria, que trouxe à Fortaleza um novo espaço unindo gastronomia, arte e uma bonita arquitetura. Prometendo ainda sediar encontros culturais, com exposições de obras e apresentações de artistas locais!

O cardápio, além dos cafés preparados em diferentes métodos: coado no Hario, Clever e espressos, contempla produção própria de pães artesanais, confeitaria e todas as refeições desde o café da manhã até o jantar! Demais, né!

Confira nossa matéria completa sobre o Mercado do Café.

Onde fica: Rua Padre Francisco Pinto, 186 - Benfica, Fortaleza - CE.
Facebook Mercado do Café 

2. La Brasilerie - Aldeota
Pães fresquinhos, café da manhã, bolos de diversos tipos e sabores, além de buffet para almoços e gelatos! Tudo isso em um ambiente ao mesmo tempo rústico e contemporâneo. No coração da Aldeota, pertinho da Praça Portugal, o Empório La Brasilerie lança um conceito contemporâneo que mescla o rústico e o moderno em um espaço bastante agradável, além de contar com estacionamento próprio com manobrista.

O lugar é realmente aconchegante e de cardápio bastante variado. Conta com promoções diárias! E com um atendimento excepcionalmente atencioso. Fica meu destaque para os funcionários super bem treinados e cordiais, além da apresentação dos pratos e cafés, super bem servidos e lindo de se ver!

O empório mistura as delícias de uma padaria, com uma doceria e uma gelateria. O famoso afogatto, de café espresso com nutella e sorvete é simplesmente uma DELÍCIA, com todas as letras. Tem também o Bolo da Vovó de leite ninho, que é super pedido.

As opções são realmente variadas, entre gelatos, doces, salgados, buffet, muitos tipos de pães feitos no próprio empório... com certeza um lugar de destaque e que você tem que conhecer, sendo nascido em Fortaleza ou não.

Confira nossa matéria completa sobre o La Brasilerie.

Onde fica: Rua Tibúrcio Cavalcante, 736 - Aldeota, Fortaleza - CE.
Site La Brasilerie  
3. Amika CoffeeHouse - Meireles
O Amika CoffeeHouse, famosa cafeteria e bastante divulgada entre os fortalezenses e amantes de café, com certeza não pode faltar em sua listinha de check-ins! A casa conta com grãos do dia, ou seja, há sempre uma região com um grão novo, trazendo novidade aos paladares dos mais exigentes no segmento cafeeiro! E digo logo, não deixa nadinha a desejar! 

O espaço é uma delícia, aconchegante e moderno! Com arquitetura contemporânea, o Amika possui dois andares e ambientes, onde o cliente degusta o café onde achar melhor: no balcão, no sofá  ou nas mesinhas lendo uma revista ou acessando seu notebook. Tem wifi gratuito no local. O atendimento também é excelente!

Há diversos tipos de métodos de preparos, além de diferentes tipos de grãos, conforme comentei antes: catuai amarelo, mundo, novo, etc.. Ah, e tem flat white, que eu adoro! Delícia! Fora as comidinhas para acompanhar que também são deliciosas, como os bolinhos de tapioca, a tortinha de café e a mousse de 3 chocolates! Sensacionais!!!

É realmente uma passagem obrigatória para os amantes e apaixonados por café, como nós!

Onde fica: R. Ana Bilhar, 1136B - Meireles, Fortaleza - CE.
Facebook Amika CoffeeHouse  
4. Padaria Pão Na Massa - Cocó
Posso dizer que o episódio com o Pão na Massa foi um achado. Isso mesmo!

A padaria abre para o café da manhã, almoço e jantar com opções diferentes e um charme indescritível. É para se sentir em Fortaleza mesmo, com o clima tranquilo, e uma área externa agradavelmente verde e ventilada.

Com ótimo atendimento e serviço de mesas normalmente lá fora.

O cardápio é bastante variado, com todos os componentes de uma tradicional padaria, além de pizzas e opções de massas, e tendo as sopas como um dos itens mais pedidos e elogiados do lugar!

O cappuccino é bastante saboroso e bem tirado. Dou aqui um destaque para as tapiocas de lá... muito gostosas! Peça pela tapioca de beterraba! Pedimos ela também. E olha, delícia... fica a dica mais fit! =)

Confira nossa matéria completa sobre o Pão na Massa.

Onde fica: Rua Gilberto Studart, 1365 - Coco, Fortaleza - CE.
Facebook Pão na Massa 

5. Benévolo Café e Gelato - Meireles
Tendo o café e o sorvete como especialidades, a Benévolo de Fortaleza, localizada no bairro Meireles e super fácil de achar, deixa nossa experiência com café ainda mais prazerosa.

Como se não bastasse ter tanta delícia, o ambiente da cafeteria é super aconchegantecom uma decoração apaixonante. Agradabilíssimo, como já ouvi muito por aí! E é verdade! Cheio de estilo, criativo e despojado!

O lugar conta ainda com opção de sala de reuniões, para aquela reuniãozinha de trabalho onde não pode faltar um cafezinho para um break! =) Com atendimento excelente, gelatos saborosos, e diversas opções de café, além de opções geladas com nossa bebida preferida.

Para comer? Experimente um dos crepes de lá, são conhecidos por serem deliciosos e bem servidos! A cafeteria conta com wi-fi gratuito.

Com certeza uma visita imperdível para qualquer pessoa na busca de um bom café!

Onde fica: R. Ana Bilhar, 1083 - Meireles, Fortaleza- CE.
Site Benévolo Café e Gelato

Confira também: 5 Melhores Cafeterias em São Paulo.

Visitem, compartilhem a experiência com a gente nos comentários e não deixem de marcar seus momentos cafezinho usando nossa #GraoDoDia.

Nos Sigam nas Redes Sociais

Grão Do Dia - um pouco de café - um pouco de cor
@graododia (instagram.com/graododia)
Facebook: facebook.com/graododia
Twitter: twitter.com/graododia 
Site/blog: www.graododia.com

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

NOTÍCIAS // São Paulo nas Alturas será lançado na quinta, dia 19, na Casa Cor Brasília

Nesta quinta-feira, o jornalista Raul Juste Lores, da Folha de S.Paulo, lança – pela primeira vez em Brasília – seu livro São Paulo nas Alturas. Ele faz o lançamento a convite do arquiteto Hélio Albuquerque e da designer Sônia Peres, que assinam o espaço Vinho e Prosa Lounge na casa Cor Brasília. Às 19h, o arquiteto Daniel Mangabeira comanda um bate papo sobre os temas do livro com Raul Juste Lores e, na sequência, haverá o lançamento do livro. Tanto o bate papo quanto o lançamento em si acontecem na Casa Cor, localizada na QI 9 do Lago Sul, na altura do conjunto 17.

O tema central do livro é arquitetura. Nos anos 1950, uma grande transformação ocorreu em São Paulo: arquitetos modernos passaram a ser mais e mais requisitados por uma renovada indústria imobiliá­ria. Em pouco mais de 10 anos, foram criados os mais icônicos edifícios da cidade, graças à aliança de arquitetos talentosos, como Niemeyer, David Libeskind e Franz Heep, com empreendedores audazes, entre eles Artacho Jurado, Octavio Frias de Oliveira e José Tjurs.

Copan, Itália e Nações Unidas, Conjunto Nacional, o centro comercial Grandes Galerias (hoje conhecido como "Galeria do Rock") e vários outros prédios de grande qualidade arquitetônica foram erguidos nessa época e moldaram para sempre a imagem da capital, espelhando sua pujança, seu dinamismo e sua modernidade.

Em São Paulo nas alturas, Raul Juste Lores reconstitui esse importante período, apresentando a surpreendente trajetória de seus principais personagens, mulheres e homens que deram rumo novo à arquitetura, à construção e à vida urbana no Brasil. 

Para isso, fez uma longa pesquisa de materiais publicados, fez cerca de 200 entrevistas e se debruçou em mais de 80 teses e livros sobre arquitetura e o período. Essa paixão pela arquitetura começou desde quando o autor, de Santos, andava pela rua aos 10 anos. Quando se formou em Jornalismo e trocou Santos por São Paulo, trocou também as caminhadas.

RAUL JUSTE LORES
É jornalista, pesquisador de arquitetura e urbanismo e repórter especial da Folha de S. Paulo. No mesmo jornal, foi editor de Mercado e correspondente em Washington, Nova York, Pequim e Buenos Aires. Recebeu, em 2011, o prêmio Difusão da APCA pelo seu trabalho sobre arquitetura.

SÃO PAULO NAS ALTURAS´
Lançamento em Brasília
Quinta, dia 19, às 19h
Casa Cor QI 9 do Lago Sul, na altura do conjunto 17

EU RECOMENDO // A nova cozinha Nordestina

André Castro (*)
Convidado especial do Gastronomix

Eu gostaria de indicar dois destinos onde vocês conhecerão um pouco mais da Nova Cozinha Nordestina e, claro, ficam situados no nordeste brasileiro. Quando falamos desta ‘Nova Cozinha Nordestina’, na realidade, falamos de um novo olhar sobre ingredientes típicos, com muita técnica culinária e sem esquecer as suas raízes e a cultura local. Assim descrevo o trabalho dos chefs Onildo Rocha e Fabrício Lemos, respectivamente dos premiados restaurantes Cozinha Roccia - João Pessoa (PB) e Origem - Salvador (BA).

Em João Pessoa, para um almoço despretensioso, inicie sentando no Roccia Bar situado na calçada do piso térreo. Peça um Bode Fashioned com Bourbon, angostura, twist de laranja e rapadura para acompanhar uma das panelinhas da casa que pode ser um Rubacão, versão cremosa do baião de dois ou um guisado com farofa de cuscuz e arroz de leite. Pode parecer redundante, mas volte ao mesmo lugar para jantar e suba até o restaurante Cozinha Roccia que fica no primeiro andar logo acima do bar.
Aqui vocês conhecerão um trabalho com muita técnica nos excelentes pratos que saem da cozinha envidraçada comandada por Onildo. Comece com o Capitão de feijão verde, bolinho frito carregado de história e memórias afetivas do chef. Uma leve opção de prato principal é o peixe branco com mousseline de castanha, legumes braseados e vinagrete de caju. Para encerrar, o nordestiníssimo bolo de macaxeira com sorvete de queijo de cabra e calda de rapadura.

Chegando a Salvador, reserve uma mesa no Origem e prepare-se para uma noite memorável. Os chefs Fabrício Lemos e Lisiane Arouca trabalham somente com menu degustação servido em 13 etapas que muda todos os dias. Citarei aqui algumas das delícias que podem ou não vigorar no dia da sua visita.
O snack de tapioca com vatapá, camarão e tomate verde é uma inteligente e diferente versão mais leve do acarajé. O peixe com licuri e telha negra encanta com sua beleza e a costela com mousseline de aipim e tropeiro de cuscuz com andu certamente deixará saudades.
As sobremesas são um capítulo à parte, Lisiane arrasa imprimindo diferentes técnicas numa mesma sobremesa fechando divinamente a experiência que é conhecer este restaurante. 

Roccia
Holanda's Prime - Av. Antonio Lira, 536
Tambaú, João Pessoa
Telefone: (83) 98827.7480
Origem
Alameda das Algarobas, 74
Pituba - Salvador
Telefone: (71) 99202.4587

(*) Andé Castro é chef e proprietário do restaurante Authoral em Brasília.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

NOTÍCIAS // As 4 melhores baguetes de Brasília

Sebastián Parasole (*)
Convidado especial do Gastronomix

“Se não tivéssemos pão na mesa de casa era motivo de briga...

Há muito tempo, os pães eram redondos. Uma das histórias conta que o pão em formato cilíndrico seria mais fácil de transportar e cortar com as mãos pelos soldados de Napoleão.

Outra história diz que, em Paris, no ano de 1920, uma lei proibia que os padeiros trabalhassem antes de 4 horas da manhã, e o pão de forma mais alargada permitia uma cocção mais curta.

Existem outras histórias, mas a famosa baguete que conhecemos hoje foi oficialmente reconhecida somente em 1993 e faz parte do patrimônio francês.

O processo para fazer uma baguete é puramente artesanal. O padeiro deve seguir as instruções de produção, respeitando algumas regras e medidas. Os ingredientes autorizados são: farinha, água, levedura e/ou levain e sal; não devendo ter ovo, leite ou óleo.

Crocância, leveza e acidez são características positivas. A baguete tradicional francesa também deve medir entre 55 a 65 cm e pesar entre 250 e 300 gramas.

Existem várias lojas que vendem baguetes em Brasília, porém minha opinião pessoal as 4 melhores baguetes escolhidas em ORDEM ALFABÉTICA são:
1.CARDABELLE
CLN 403 bloco E loja 41
Telefone: (61) 3036.6656

2. CASTÁLIA PADARIA E CAFÉ
CLN 102 bloco D lojas 64/74
Telefone: (61) 3081.8899

3. DYLAN CAFÉ E BAKERY
CLS 315 bloco A loja 15
Telefone: (61) 3363.1294

4. VARANDA PÃES ARTESANAIS
CLN 215 BL D Loja 39
Telefone: (61) 3033.2002
Site: https://www.varandapaesartesanais.com.br/

Lembre-se que o paladar se educa e o cliente escolhe.

Observação: A foto mostra a peça inteira e foto do exterior crocante e interior mostrando tamanho dos alvéolos provocados pela fermentação

Boa descoberta!!!”

(*) Sebastián Parasole é Coordenador Geral de Gastronomia do IESB.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

CHAZEIRA // Cerimônia japonesa do Chá

Eloína Telho
Colunista de Chá do Gastronomix

Meu affair com o matchá começou assim: senti-me atraída por sua aparência de pozinho verde, sua apresentação linda e espumosa, dentro de uma tigela de cerâmica especial, misturado com uma escovinha bem diferente. Nada de saquinho, infusor, bule, o que de cara desconstruía todos os padrões que até então conhecia. Depois, foi o gosto que me prendeu.

Estava diante de um chá verde, bem mais adocicado que o normal, ao mesmo tempo amargo, de sabor complexo, que remetia ao gosto de peixe e alga; era tudo e era chá. Mas constatei que se tratava de amor verdadeiro quando conheci, na teoria, a cerimônia do chá japonesa, Chanoyu, em que o matchá se torna protagonista de uma história baseada em princípios de respeito, harmonia, pureza e tranquilidade. Casei-me com o matchá pelo Caminho do Chá! 
Minha cerimônia do chá matinal... O melhor jeito de despertar! 
Essa é a colherzinha de medida, feita em bambu, o chashaku. Eu gosto de coar antes para não “dar bolinhas” no meio do chá!

Introduzido no Japão pelos monges budistas, que traziam o pó verde na bagagem da China e o utilizavam para combater o sono ao praticarem a meditação, conquistou a corte imperial e, depois, fascinou todo o povo. Mestres do Chá institucionalizaram o ritual, que segue sendo transmitido por gerações não apenas como performance artística, mas como postura de vida, disciplina do ser. Tudo tem significado material e, ao mesmo tempo, espiritual. Os passos seguidos são sempre os mesmos, os objetos utilizados carregam história.

Todo o ensinamento começa na chegada ao jardim do chá; é nele que se inicia o caminho que levará à sala em que ocorrerá a cerimônia. A caminhada tem a função de desligar os convidados do mundo cotidiano, da correria, da ocupação, do ego, para reconectá-los ao momento; afazeres e circunstâncias externas ficam para trás. A espera se dá em uma casinha própria, chamada de machiai, onde todos os convidados se encontram, concentrados internamente. São recebidos pelo anfitrião com uma inclinação, em sinal de respeito, sem palavras ou maiores explicações, e seguem, um a um, à sala de chá.    
Sala de chá, na novela Sol Nascente, da Rede Globo. Imagem: www.globo.com.

A sala, construída em materiais simples e frágeis, lembra a transitoriedade da vida, a efemeridade das estruturas. A decoração é simples; em regra, a princípio, há um arranjo de flores, pira e caldeirão para o preparo da água a ser utilizada. Tatames cobrem o chão onde os convidados se sentarão. Momento de contemplação, até que o anfitrião reapareça, em nova reverência para servir uma refeição leve e delicadamente preparada, sal e doce. Ao final, os convidados retornam à sala de espera.

Após cinco toques de gongo, todos retomam individualmente o caminho da sala de chá. Antes de adentrar a sala, lavam as mãos e a boca, em sinal de respeito e purificação, para que o pó mundano se vá e só reste o silêncio. A porta baixa da entrada da sala faz com que todos se ajoelhem. Flores decorativas dão lugar a outros adornos, em regra um desenho simples, a água já está sendo aquecida, a caixa com chá os espera. Só o que há é a harmonia verdadeira, entre os objetos, entre as pessoas, naquele mundo particular. O Mestre do Chá reaparece com uma vasilha em mãos, em que estão o chasen (o batedor de matchá), a chashaku (um tipo de colher medidora especial) e o ochakin, um pedaço de linho branco.

Começa a cerimônia. Gestos conduzem o preparo do chá, como uma coreografia, e os convidados se servem de bolinhos. O chá chega ao primeiro convidado, oferecido e recebido com reverências, que toma três goles, limpa a tigela e entrega ao próximo convidado. A louça é sempre de rusticidade marcante, em que são notadas até as pedrinhas misturadas ao barro moldado; não há muitos detalhes, o esmalte é imperfeito e faz lembrar a nossa própria essência: simples, inacabada, imperfeita.

Não há beleza óbvia, o transitório convive com o exuberante. Nada deve perturbar o coração de quem se entrega ao ritual. Não há vaidade e reina o respeito; tudo é simples, sincero e correto. Todos bebem na mesma tigela, o chawan, como que se lembrando da igualdade entre as pessoas. Recebe-se a xícara com a mão direita, apoiada pela mão esquerda, girando no sentido horário duas vezes, com o lado mais interessante do chawan virado para o anfitrião; três goles, e o chawan é devolvido. 
O Chasen!  
Meu Chawan de todo dia.

Ao final, todos os utensílios são examinados por todos; peças de arte, cheias de história, viram o assunto. O anfitrião se retira e a cerimônia se desfaz.

Tudo isso, para mim, é carregado de significado. Imaginar o ritual me faz pensar ora em um balé, ora na própria poesia escrita e recitada. Pessoalmente, ainda não tive oportunidade de participar da cerimônia, limito-me a imaginar e assistir vídeos da internet...  Mas espero, em breve, estar pronta para experimentar essas sensações e senti-las com todo o meu coração. O momento há de ser especial!

No Brasil, há cerimônias do chá conduzidas lindamente por Vinícius Monfernatti, chazeiro maravilhoso do instagram @asaladecha, em Curitiba. Também sei que Erika Kobayashi conduz cerimônias contemporâneas e já se apresentou na Japan House, em São Paulo. Em novembro, encontrarei ambos, em uma cerimônia, no interior de São Paulo, e volto para contar tudo, em detalhes, por aqui. Imagine como estou ansiosa! 
Esse moço lindo é o Vinícius... E esse é o instagram dele! :)

Por enquanto, se quiser imaginar um pouquinho mais dessa lindeza, sugiro o livro “O Zen na arte da cerimônia do chá”, de Horst Hammitzsch, com prefácio delicado da Monja Coen. A leitura leva a gente a sonhar com cada detalhe e já preparando a alma para aproveitar o momento!

Você já participou de alguma cerimônia de chá? Tem fotos lindas para compartilhar? Não se acanhe, aguce ainda mais a minha vontade de participar do ritual. Vou amar!

Ah, se quiser me acompanhar pelo Instagram ou Facebook, lá estão as imagens que ilustram na prática tudo o que falamos por aqui, feitas a partir do meu #momentomágico: @chazeira (insta) ou @eloinachazeira (face). Te espero lá, para não morrermos de saudade até a próxima quinta, certo?

Beijos e bons chazinhos, em sua cerimônia particular! :)

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

NOTÍCIAS // Gastronomia e arquitetura: juntas na Casa Cor Brasília

Quem não gosta de comer e beber bem num lugar agradável. Pode ser em restaurante, mas também em casa. Por isso, o arquiteto Hélio Albuquerque e a designer Sônia Peres criaram o ambiente Vinho e Prosa Lounge para a Casa Cor Brasília 2017. O ambiente é um espaço para os amigos tomarem bom vinho, baterem papo e comerem confortavelmente. A ideia é que os visitantes se sintam em casa, com o acolhimento que o ambiente de família proporciona. 
O espaço, bem contemporâneo, tem 110 metros quadrados, um piso vermelho para lembrar as casas antigas e a cor do vinho e uma cozinha aberta no tom azul escuro, onde haverá pequenos eventos como uma aula de chás com degustação e outras surpresinhas. O Vinho e Prosa Lounge ainda conta com uma área externa e uma mesa de jantar.  A Casa Cor 2017 vai até 8 de novembro, conta com 5.850m² de área de evento, 70 profissionais e 43 ambientes. 


COMIDINHAS, EVENTOS E CULTURA
Para agitar o ambiente, a dupla convidou Rodrigo Caetano e Daniel Bitar, autores do projeto Kitchen11 e do portal Gastronomix, para promoverem pequenos eventos com degustações.
O primeiro evento foi na sexta, dia 6 de outubro. Uma homenagem à fotógrafa Zuleika de Souza, que comemora seus 35 anos de carreira. Zuzu, como é mais conhecida, recebeu cerca de 30 convidados no espaço, como as artistas Bete Betiol e Célia Estrela, as jornalistas Conceição Freitas (da banca da Conceição) e Paula Santana (site GPS) e o fotógrafo e amigo Cláudio Versiani.  
No próximo dia 13, a sommeliére de chás Eloína Telho dá uma aula-degustação com chá de 5 países - China, Japão, Índia, Inlgaterra e Brasil. Cada chá será harmonizado com comidinhas feitas pela turma do Gastronomix. Com o chá da China, será servido um arroz com couve chinesa e um toque de gengibre. Para o chá japonês, berinjela com missô. Para o indiano, samosas (pasteizinhos) de legumes. Na terra da Rainha, serão servidos sanduiches de pepino. E, para o chá do Brasil, brigadeiro com especiarias.  
E o jornalista Raul Juste Lores lança no dia 19 o livro São Paulo nas Alturas, que relata as histórias e projetos dos expoentes da arquitetura das décadas de 1950 e 1960. Na ocasião, Juste Lores participa, às 19h, de um bate papo com o arquiteto Daniel Mangabeira, seguido do lançamento do livro. 
Casa Cor
QI 9 Lago Sul  lote D
De terça a sexta das 15h às 22h
Sábado, domingo e feriados das 12h às 22h
Telefone: (61) 3248-4638
Ingressos - Inteira: R$ 48. Meia: R$ 24. Passaporte: R$ 160

ALMANHAC // O macarrão já foi privilégio da elite brasileira

Rosualdo Rodrigues
Colunista de Variedades do Gastronomix

O macarrão, pelo que consta, surgiu na China e chegou à Itália seguindo a Rota da Seda — caminhos usados para o comércio de seda entre o Oriente e a Europa. Isso por volta do oitavo milénio a.C. Os italianos inventaram novas e diversas formas para a massa e a difundiram pelo resto do mundo.

No Brasil, inclusive. Aqui, o alimento chegou no início do século 18, trazido pelos carbonários, italianos integrantes de um movimento revolucionário secreto que defendiam a unificação italiana.

Para escapar de seus principais inimigos, a Igreja e a aristocracia de seu país, refugiaram-se no Brasil e trouxeram o macarrão na bagagem. Alguns deles se estabeleceram como comerciantes no centro do Rio de Janeiro, vendendo sorvetes e massas caseiras. 

A partir daí, a história tem lances curiosos. Por exemplo: aqui o macarrão começou como coisa de poucos privilegiados. Era consumido pela elite carioca como ingrediente para sopa, lá pela década de 1850, segundo Câmara Cascudo em seu livro “História da Alimentação no Brasil”.

Nas décadas seguintes, aumentou o número de italianos no país. Até 1890, foram 974 mil, e até 1920 essa comunidade cresceria ainda mais, incentivando a cultura do trigo e barateando a matéria-prima. Pronto, o macarrão se popularizou e chegou a todas as partes do nosso país.

Mas havia um problema: os brasileiros não sabiam muito bem o que fazer com aquela massa em fios, utilizada pelos italianos como prato único. Além de integrar a sopa, o macarrão virou complemento para o feijão e o arroz.

A história de como os fabricantes do produto uniram esforços para mudar a imagem do macarrão é longa, fica para outra. Mas resta dizer que hoje o Brasil é o terceiro maior mercado consumidor de massas. Só perde para Itália e Estados Unidos.

Fontes: “Viagem Gastronômica Através do Brasil” (Caloca Fernandes), “História da Alimentação no Brasil” (Câmara Cascudo) e “A História do Macarrão no Brasil” (Abima). Foto: spaghettini com tomate fresco, azeitona e alho (site da Barilla, com receita).